Guerrear Do Hoje


Vão-se distantes os tempos
Dos Verdadeiros Guerreiros,
Hoje somente vejo homens,
Hoje somente vejo mulheres,
Aceitando-se no desterro
Da existência apegada
Aos não-riscos
De sempre seguir-se
O mesmo.

Em tempos antigos
Guerreei ao lado
De homens guerreiros,
Guerreei ao lado
De mulheres guerreiras,
Partia a cavalgar
Por caminhos infinitos,
Derrubava inimigos
Pelos campos de batalha
Infindos,
Recebia os prêmios
De todas as vitórias
Aos braços de minhas
Amadas guerreiras,
Eu gritava
Guerrear,
Eu corria no
Guerrear,
Eu existia no
Guerrear!

Vi impérios cairem,
Meus pés pisaram
Sobre os cadáveres
De muitos
Imperadores!

Vi reinos cairem,
Minhas espadas decapitaram
Reis impassíveis
Em seus tronos!

Ergui muito alto,
Muito alto,
Muito alto,
Todas as minhas espadas!

Fiz-me
Gigante!

Fiz-me
Grandioso!

Fiz-me
Glorioso!

Fiz-me
Um Deus Guerreiro,
Um humano
Mais do que humano,
Um Filho Da Guerra,
Um Fio Da Guerra,
Um Foco Da Guerra,
A Guerra
Pelo Verdadeiro Viver
A impulsionar-me
Da alma
Aos meus órgãos viris
A seguir as estradas
Que guiavam
Para todas as batalhas
Que eu travei!

Fui imperador
Da espada!

Fui rei
Da espada!

A Espada Eterna
De Todos Os Guerreiros
Ainda está em minha
Humana alma
Que hoje
Em mais uma
Humana nova jornada
É apenas mais uma
Das inúmeras almas
Caminhantes
Entre as multidões...

Multidões...

Fui gigante,
Fui grandioso,
Fui glorioso,
Fui Deus Guerreiro,
Sou ainda
Um Filho De Guerreiro,
E no Hoje
Caminho entre a multidão
Sendo confundido
Em meio a milhares
De guerreiros outros
E de não-guerreiros...

Hoje sou mais um,
No Ontem fui,
Em existências divinas,
Deuses que guerrearam,
Deuses que morreram
Em campos de batalha,
Deuses que aspiraram
Ao Eterno Guerrear
Contra as suas quedas,
Deuses que tocaram
Em corpos de
Divinas mulheres,
Deuses que se apossaram
De milhões de butins
De guerra...

O que sou no Hoje...

Bem...

O que sou no Hoje...

Alguém?

Sou mais um
Guerreiro vencido
Entre as multidões
De um mundo
Vencido
Povoado por muitos
Guerreiros vencidos...

Grito
Ainda
Guerrear!

Mas,
Perco sem as armas
E as armaduras
Que eu tinha
Todas as minhas
Atuais batalhas...

As guerras do Hoje,
Comigo,
São ingratas...

Acho graça em saber
Que muitos hoje
Se dizem guerreiros...

Perguntarei a cada um
Destes guerreiros do
Hoje
Se sabem vencer
A todas as suas batalhas...

Talvez vençam...

Talvez eles sejam ainda
Deuses,
Deuses que no Hoje
Esqueceram-se de suas
Glórias De Deuses Reais
E caminham cegos,
Mas ganhando,
Ganhando,
Ganhando,
Todas as suas batalhas.

Eu perco...

Como outros perdem...

Perco todas as minhas
Batalhas...

Fuligem guerreira sou...

Qual razão ainda tenho
Para continuar
A lutar perdendo
Com o meu guerreiro ardor?

Qual razão ainda tem
Todos os perdedores do mundo
Como eu
Para continuarem
A lutarem perdendo
Com os seus
Guerreiros ardores?

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