Pureza Do Vento Indo...


Ao norte dos desertos meus olho
Para os desertos que ali
Estão erguidos...

Ao sul dos meus oceanos
Observo a densa névoa
Do meu não-oceano...

Ao leste dos meus rios
Sigo a margem dos meus
Infelizes ninhos...

Ao oeste dos meus solos
Salto por sobre árvores
De copas dolosas...

Horizontes e ventos,
Ventos amigos,
Ventos inimgos,
Eos soprando
Toda minha humana
Natureza,
Eos soprando
Toda minha humana
Pequeneza...

Delicado vento
Ao sul

Delicado vento
Ao norte

Delicado vento
Ao leste

Delicado vento
Ao oeste

Delicado vento
Em meu horizonte interior,
Horizonte de dor que me queda,
Horizonte de dor que me quebra,
Horizonte de dor que me desespera,
Dor,
Horizonte,
Dor,
Horizonte,
Dor
Horizonte...

Eu e o vento...

Eu e os ventos...

Houve tempo em que eu
Era vento...

Era vento...

Eu era um
Deus Dos Ventos

Eu era mais
Do que hoje
Um Deus Filho Do Raio

Eos e eu éramos
Ventos de todos
Os horizontes

Eu era vento

Eu era vento
Eu...

Sopraram-me há pouco
Para o mundo dos homens,
Fui lançado
Por causa de culpas infames
Ao ter soprado
Horizontes que não mereciam
Os meus sopros

Sou humano sopro hoje...

Humano sopro...

Humano sopro...

Vento?

Eu como humano vento?

Eu vento?

A pureza do meu
Ser vento
Soprada foi
Pelos Lobos Do Ar
Para florestas distantes
Da floresta humana floresta
De trabalhadores que
Nada sopram

Perco-me como parado...

Parado...

Parado...

Gostaria eu de novamente...

Novamente vento...

Novamente vento...

Novamente vento...

Puro...

Puro...

Puro...

Puro!

Vento...

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