Escrevendo Nas Sombras Temporais



Um livro raro

Está sendo por mim escrito,

É um livro bom,

É um livro mau,

É um bom livro,

É um mau livro.

De tanto e de tanto

Escrever sobre as

Sombras Temporais,

De tanto e tanto escrever

Nas Sombras Temporais,

Tenho as minhas mãos cálidas,

Tenho as minhas mãos suaves,

O Cálido,

O Suave,

A Dupla Batida Do Relógio,

O Grande Relógio Da Minha

Efemeridade.

Efêmero sou indigno,

Efêmero sou digno,

Aceito O Juízo

Do Deus Cronos

Sobre a minha Cova

E sobre os meus ossos

De Coveiro digno

Da indignidade de ser

Um ser humano.

Juiz Mutável,

Deus Cronos

Impõe ao meu relógio

Em meu Eu

A espécie mais atrasante

Dos atrasos existenciais.

Juiz também Inominável,

Deus Cronos

Impõe ao meu relógio

Em meu Não-Eu

A demência mais atraente

Das demências existenciais.

Atrasado,

Demente,

Vou escrevendo o meu livro,

O meu livro raro,

Nas Sombras Temporais,

As Sombras Temporais

Me Inspiram,

As Sombras Temporais

Me Aspiram,

O Crânio Das Eras

Dá-me A Pena,

A Pena Que Escreve

Sobre Todas

As Sombras Temporais.

Escrevo como um

São Jerônimo,

Escrevo na solidão sagrada

Da minha particularmente

Sagrada

Igreja Interior.

Diferente de São Jerônimo,

O Deus Único não é

O meu Superior,

Eu não possuo

Um Superior.

Você possui

Um Superior,

Humano escrevendo

Em suas sombras?

Você possui

Um Superior,

Humana escrevendo

Em suas sombras?

O Inominável Desconhecido

Não é o meu Superior.

Nas Sombras Temporais

Eu Sou

O Inominável Desconhecido.

Sou um Santo Inominável,

Então...

Mas,

Que tipo de santo é esse

Agarrado ainda

Ao escravismo incessante

Do Plano Material?

Que santo sou,

Nem perto do

Liberto São Jerônimo

Chego

Quando batem Os Relógios,

Os Relógios,

Os Altos Relógios,

Relógios cujas batidas

Quase chego a agora

Ouvir...




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