Instintivas Passagens E Demais Naturezas Selvagens - Canto III


Derrotado,

Ouço um

Distante cântico

Entre meus sonhos

Mui pesados...


É terrível,

É insano,

Mas há um Deus

Em meus sonhos

Que me diz ser útil

A derrota diária

Dos meus não-sonhos...


O que fazer?


Resistir com mais prazer?


O que te dizer?


Para não se deixar derrotar

Qual um Deus de palha

Que queimado é

Em empalado altar?


Ah,

Ordenados e desordenados

Irmãos humanos

Em seus sonhos,

Nos joguetes das crises

De nossos momentos

Não-econômicos

Nos encontramos diante

De gigantes esfomeados

Tentando nos devorar

A partir dos estômagos...


E as solas dos pés

Vão queimando...


Por que vão queimando?


Ousamos pisar em areia

De ferventes quebrantos...


Por que os quebrantos?


Vacilamos no mar de encontros

Com os diários desencontros...


Por que nos despertam?


Não sei?


Ou sei?


Vós sabeis?


Vós não sabeis?


Sabeis?


Não sabeis?


Será que eu sei?


Será que eu não sei?


Vacilo,

Tiro um cochilo,

Courbet rega-me com tintas

De odor e de calafrios

Inerentes ao meu espetáculo

De Não-Deus Adormecido...


Fico com muito frio...


Muito frio...


Está muito frio...


Em nosso Olimpo Distorcido

Estou dormindo,

Sou dormir,

Estamos dormindo,

Somos O Dormir,

Adormecidos meninos,

Adormecidas meninas,

Tirando uma eterna soneca

Enquanto os pesadelos tomam conta

Das ruas que estão muitíssimo

Despertas...


Dormimos!


E quando acordamos?


Quando acordamos

Que sonhadas e não-sonhadas

Construtivas e destrutivas

Moradas

Observamos?


Destruição,

A Deusa Destruição,

É o que eu observo...


Construção,

A Deusa Construção,

Qual de vós observa

Ao despertar de vossos

Sonhos?


Inominável Ser

ADORMECIDO

E DESPERTO

COMO COURBET

DIANTE DO

DESTRUIR EXISTENCIAL

DE TODO

PLANO MATERIAL









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