Uma Deusa Em Uma Noite Pelas Humanas Ruas


Uma Deusa resolveu realizar
noturno passeio
pelas humanas ruas,
sem medo de ser vista
como santa,
já que Suas vestimentas
e brilhos
parecem com os das
cristãs santas.

Uma Deusa passeou em uma
noite de serenatas e bebidas
várias
pelas humanas ruas,
sem disfarçar-Se como humana
e sem direcionar-Se
a qualquer humano
que encontrou pelas
profanas noturnas ruas,
Divinamente
Trajada
como costuma ficar
em Sua Eterna Morada.

Uma Deusa passeou pelas ruas
em uma noite enluarada,
nas esquinas encontrou bêbados
caindo de tontos,
moças bonitas e moços bonitos
oferecendo-se aos motoristas
de caros carros,
meninos e meninas de rua
cheirando cola,
alguns sendo
espancados,
alguns sendo
assassinados,
todos de
inumeráveis maneiras
destruídos por várias
intensas violências.

Uma Deusa passeou pelas
ruas com calçadas repletas
das mesmas
e outras crianças,
dos mesmos
e outros adultos
perdidos
dormindo,
correndo riscos vários
nas mãos dos carrascos vários
que Ela encontrou
em becos e vielas escuros.

Uma Deusa pelas ruas
em uma noite iluminada,
em algumas ruas encontrou
brigas e assaltos,
em outras ruas encontrou
acidentes e assassinatos,
em algumas outras ruas
carnavais e festas caipiras
e desfiles e orgias
realizados pelos desvairados mortais.

Uma Deusa pelas ruas
em uma noite agitada,
Ela caminhou entre os transeuntes
que buscavam
alguma motivação,
alguma razão,
alguma emoção,
alguma noção,
alguma vida,
algum sexo
e algo mais,
as contemporâneas doses de
ambrosias ilusórias
das noites quentes e frias dos mortais.

Uma Deusa pelas ruas
passeou em noite de uivos
de cães e gatos,
uivos à lua,
satélite que Ela acarinha
nos braços
como acarinhou aos
solitários cães e gatos
das ruas abandonados,
quais entes
mais dotados
de racionalidade
do que os
decadentes humanos
que encontrou
repletos de
odores fecais
n'almas e nos corpos.

Uma Deusa pelas ruas
passeou nas calçadas
vazias e cheias
em noite também de estrelas,
as quais nenhum humano
Ela viu contemplando,
as quais cumprimentaram-Na
com tristes sorrisos por estarem
assim esquecidas,
recebendo Dela
O Grande Beijo
Da Paz Divina,
Beijo dispensador
de Inefável Amor
ao solitário brilho
de cada uma.

Uma Deusa pelas ruas,
como eu sei!,
em uma noite,
passeou entre nós,
não foi percebida,
não foi assaltada,
não foi assediada,
apenas silenciosa apreciou
com um triste olhar,
com um angustiado olhar,
com um piedoso olhar,
o panteão noturno das ruas.

Uma Deusa que se cansou
de não ser reconhecida,
de não encontrar
um humano digno
diante do qual
pudesse fazer-Se
conhecida,
e que,
naquela noite,
entediando-Se
e estressando-Se
com a visão que teve
da Humanidade
Contemporânea,
sentando em um boteco qualquer
da Boca do Lixo,
pediu uma cervejinha geladinha
seguida
de uma cachacinha
daquelas bem bravas,
erguendo-Se depois tontinha
em direção à Sua Eterna Morada.

Aquela Deusa confrmou
diante dos
demais Deuses
que,
como Ela,
aqui na Terra
foram esquecidos,
daqui da Terra
foram desterrados,
a atualidade de uma Humanidade
que não percebe mais
qualquer divino brlho
ou as próprias
Celestes Vestes
Da Imortalidade.

Aquela Deusa sentiu
verdadeiramente
piedade
desta atual Humanidade,
mas não quis iluminar
aos que encontrou pelas ruas,
afinal de contas
Ela É uma Deusa
e não uma santa milagreira
que serve de babá
aos infantes seres residentes
nesta terrestre lixeira.

Inominável Ser
UM NÃO-DEUS
NÃO-MILAGREIRO
QUE POETIZA







Comentários

Postagens mais visitadas