Rubra E Negra Dança


Samba da

Rubra Loucura,

Samba da

Negra Loucura,

qual submissão captura

a alma humana

muda?


O ritmo dançante,

a mula falante,

doze mil homens cadentes

arriscando passos

diante de onze mil mulheres

carentes...


Para isso

somos,

apenas febres passageiras

multiplicando-se

em um hospital insano

de cor dançante?


Rubros humanos,

arremedos e remendos

de ossos petrificados,

diante dos joguetes

de Seres alados

de cima e de baixo?


Negros meandros,

girantes gigantes apequenados

diante da pressão

do acordo das cordas

em redor

de nossos pescoços?


Sangue,

muito sangue,

ontem e hoje e amanhã

vejo muitos assassinatos,

estou angustiado,

estou preocupado...


Trevas,

muitas delas,

assinaturas de sonhos

estão se acabando,

arrotamos bandejas

de nossos assombros...


Ó,

tétricas devassidões

de tétricas divindades,

As Rubras Negras Divindades

Que Nós Somos

Humanamente Dançando!


Ó,

tétricas maldades

de tétricas roupagens,

As Rubras Negras Roupagens

Que Nós Vestimos

Humanamente Dançando!


Ó,

tétricos seios

de tétricas matronas,

As Rubras Negras Matronas

Que Seduzimos

Humanamente Dançando!


A Rubra E Negra Dança

poderia salvar

todas as

mulheres assassinadas

por monstros desumanos

neste início de ano...


A Rubra E Negra Dança

poderia ter impedido

o Haiti

de mergulhar no desespero

de um caos

medonho...


A Rubra E Negra Dança

poderia ter feito

com que a Humanidade inteira

voltasse a ser

uma ordem mundial

de poetas e sonhadores...


Mas,

Rubra,

Negra,

escrita de Stendhal

na lama dos dias desta

Desgraça Contemporânea,

dançamos dançamos...


Inominável Ser

RUBRO

NEGRO

DESGRAÇADAMENTE

DANÇANDO







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