Entre Os Ventos Dos Antigos Tempos


Ventos dominam as minhas

lembranças noturnas

e em instantes relativos

de alto alcance

do meu espírito

me vejo honrando

os mais antigos espíritos

que ontem aqui estavam

dignificando toda

a Humanidade


Ventos do norte

indicam a herança perdida

dos que imitavam

A Dança Estelar


Ventos do sul

imitam o som perdido

dos que cantarolavam

A Canção Solar


Ventos do leste

conduzem ao topázio perdido

dos que seguiam

A Missão Maior


Ventos do oeste

dizem com seus nomes perdidos

acerca dos que eram

A Benção Imortal


Sem artifícios

sem enganos

sem falsas magias

assim era

no Tempo Antigo

toda mensagem nascida

do Verdadeiro Ventre

A Mãe

do antigo modo de viver

atuava brindando

com o Vinho Eterno

o saber de cada criatura

tanto no nascer

em dias áureos

quanto no morrer

nos dias obscurecidos

Ela

presente estava

no choro dos recém-nascidos

e nos últimos suspiros

dos idosos

no primeiro sangue vertido

da mulher

e na primeira união

entre machos e fêmeas

de todas as espécies

na face da Terra

Ela

A Mãe Do Vento

Senhora Da Vida

Senhora Da Morte

Senhora Da Terra

Senhora Do Kosmos

Senhora Da Criação


A Deusa

ainda canta

quando ventos nascem

do norte


A Deusa

ainda canta

quando ventos erguem-se

do sul


A Deusa

ainda canta

quando ventos dialogam

do leste


A Deusa

ainda canta

quando ventos abarrotam

do oeste


A Deusa

nestes tempos

contemporâneos

de descrença

em Sua Sagrada

Presença

ainda canta

para os ouvidos

de todos aqueles

que ventos sabem

ainda

se tornar


Ventamos ao norte


Ventamos ao sul


Ventamos ao leste


Ventamos ao oeste


Inominável Ser

VENTO

EM TODAS

AS DIREÇÕES

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